Autores gaúchos inspiram jantar do chef Marcos Livi em Pelotas

Um verdadeiro poema. Esta é a melhor definição para o jantar Sexto Sentido, preparado pelo chef gaúcho Marcos Livi, sócio proprietário dos bares Verissimo e Quintana, em São Paulo. O jantar integrou a programação do Festival de Gastronomia, da Fenadoce, e foi realizado no Museu do Doce, em Pelotas.


O poeta Mario Quintana e os escritores Erico e Luiz Fernando Verissimo foram o tema que costurou o cardápio com ingredientes regionais. A cada prato que chegava à mesa, uma surpresa, acompanhada de versos e trechos de textos dos dois importantes autores gaúchos. O jantar foi uma brincadeira, um desafio aos sentidos, com sabores, aromas e texturas que desafiam o paladar e a sensibilidade.

No cardápio, os pratos não estavam batizados com nomes exóticos ou criativos. Apenas informavam de que ingredientes eram compostos. O que despertava a curiosidade dos comensais.



Cogumelos, brotos e flores, este o nome da primeira entrada. Recebemos uma caixinha de ovos, transparente, fechada por uma tira de papel com a frase “Andava no ar um cheiro familiar de pão quente”, de Erico Verissimo.



Aberta a caixa, estavam ali dispostas casca de ovos recheadas com cogumelos triturados, azeite de oliva, beterraba, minicenoura, cebola. A brincadeira era mergulhar uma colherinha de madeira no azeite ou num creme de um dos ovos e provar as farofas e tentar descobrir os ingredientes.



O segundo prato – Peixe, camarão e abóbora – veio disposto sobre um azulejo. Uma homenagem à cidade, conhecida pelos belos azulejos portugueses. Ceviche, camarão com abóbora e uma trouxinha de peixe com doce de casca de laranja foram servidos acompanhados de uma bandeirola com o seguinte texto de Mario Quintana: “O passado não reconhece o seu lugar, está sempre presente”.



Aspargos, linguiça e abobrinha foi o tema do terceiro prato. A decoração, um catavento, em cujas pás trazia fragmentos de um texto de Luís Fernando Verissimo: “Os tristes acham que o vento geme. Os alegres acham que ele canta”.



Pêssego, o tema do quarto prato. Servido sobre um CD, Belezas Imperfeitas, com o tema do jantar. Em uma colher, um sorbet de manjerona, um pouco amargo para o paladar comum, acompanhado de outro sobert, de pêssego com origone, a passa de pêssego seco. Na taça do sorbet de pêssego um disco de papel com o texto “Nada jamais continua. Tudo vai recomeçar! E sem nenhuma ;lembrança das outras vezes perdidas...”, de Mario Quintana.



A seguir, batata-doce. O prato chegou à mesa coberto por uma folha de papel-manteiga com As Cobras, tirinhas de Luís Fernando Verissimo. Na etiqueta que a prendia ao prato, um texto de Erico: “Descobri outro dia que o Quintana na verdade é um anjo disfarçado de homem. Às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casaco, suas asas ficam de fora”.



Descoberto, o prato revelava nhoques de batata doce branca, amarela e roxa, com um molho de queijo.




O sexto prato, com cordeiro, gado e porco, foi servido em uma panelinha individual. Para acompanhar, o texto de Erico, “O tempo faz a gente esquecer. Há pessoas que esquecem depressa, Outras apenas fingem que não se lembram mais”.




Uma caixinha de madeira forrada com papel manteiga com os nomes de Quintana e Verissimo serviram de palco para queijos regionais e jurupiga, o licor da região.



A sobremesa, uma combinação deliciosa de sorvete de butiá, bolinho de arroz recheado com doce de leite, quindim e frutas regionais encerrou o jantar. Junto com ela, o texto O Inventor de Sabores, de Luís Fernando Veríssimo, que aconselho a todos que procurem e leiam.

O que dizer do jantar? Que foi uma noite inesquecível, uma harmonia de sabores e cultura. Uma demonstração da sensibilidade do chef Marcos Livi. Uma prova de que os ingredientes locais podem compor o mais saboroso dos cardápios. Um jantar digno de um Festival de Gastronomia e de uma cidade com a importância histórica de Pelotas.


2 comentários:

  1. Realmente, uma noite inesquecível para a gastronomia Pelotense, para mim um divisor de águas que nos ensina a valorizar ainda mais os produtos cultivados na nossa região e que usados com técnica e criatividade exalam uma mistura de sabores nos remetem ao melhor de todos os momentos culinários. Parabéns ao Chef Marcos Livi; um jantar que fica para sempre na memória de todos que participaram.

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  2. André, o Festival de Gastronomia de Pelotas, que possibilitou essa experiência, certamente contribuirá para uma nova fase da gastronomia pelotense.

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