Alex Atala mostra no Mesa ao Vivo a paixão pela gastronomia brasileira

Alex Atala foi elevado ao papel quase de um guru da gastronomia brasileira. E isso pode ser facilmente comprovado na palestra que o chef realizou no primeiro dia de atividades do Mesa ao Vivo Rio Grande do Sul, promovido pela revista Prazeres da Mesa, no Senac Porto Alegre. O mais famoso chef brasileiro da atualidade exerce tal fascínio sobre a plateia, que o auditório completamente lotado, com pessoas acomodadas até nas escadas, parecia embevecido, hipnotizado por suas palavras.



Enquanto preparava alguns dos pratos que compõem o novo menu do D.O.M., Atala ia distribuindo conhecimentos técnicos, dicas e, o mais importante, fazia uma defesa apaixonada dos ingredientes e produtores nacionais. Ao mesmo tempo demonstrava porque acredita que criatividade é fazer o que todo mundo faz, mas de forma que ninguém espera. A salada de talos de agrião banhada em gelatina de mostarda e mel, com sementes de mostarda e flores de coentro,  apresentada de forma que parece flutuar no prato foi um bom exemplo de como ser criativo. 
O ceviche de vegetais, o envoltine de caju com lulas, a melancia e o pepino marinados e com toque de azeite de carvão, o bolinho de massa de biscoito de polvilho com botarga e óleo de anchova e as vieiras com fios de palmito pupunha marinados e molho de algas foram preparados durante a apresentação. 
Ao referir-se aos chefs, destacou que é preciso que haja uma reaproximação com os ingredientes brasileiros, que os alimentos sejam aproveitados em sua totalidade e que tenham consciência de que a cozinha é a maior rede social do mundo. Ressaltou que o mundo gastronômico está com os olhos voltados para a América Latina, espera que surja daqui uma revolução, como a do Peru (com o ceviche) e do Chile (com os vinhos). Mas se disse um pouco frustrado por ainda não ver essa revolução no Brasil.



Convocou a plateia a fazer a sua parte não comprando o que não é bom. Explicou que o Brasil é campeão mundial no uso de produtos químicos na produção de alimentos. “Cozinhem e comprem de acordo com sua ética”, aconselhou.
A aula de Alex Atala foi como uma amostra dos ideais por ele defendidos. Um pouco do que realiza no Instituto Atá, que busca proteger o meio ambiente, os homens, seus produtos e sua cultura, e que tem reunido outros chefs em torno da mesma luta. Ao final, convocou os cozinheiros gaúchos a se fazerem presentes na batalha pela valorização dos produtos locais e de seus produtores.
Com certeza, quem esteve presente à aula pode compreender porque Alex Atala ocupa o posto de embaixador da cozinha brasileira no mundo, porque as palestras e aulas que realiza são tão disputadas, porque parece hipnotizar uma plateia, que o idolatra e que é capaz de ficar horas numa fila para tirar uma foto a seu lado ou guardar seu autógrafo com o valor do de uma celebridade.





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